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Reuniões Anuais do FMI e Banco Mundial: o que o Brasil busca?

Artigo

publicado: 10/10/2017 15h33 última modificação: 16/10/2017 13h35
Em artigo, secretário de Assuntos Internacionais, Marcello Estevão, destaca as prioridades da agenda brasileira nas reuniões anuais do FMI e Banco Mundial

Por Marcello Estevão*

Sem direito a feriado, a semana de 12 de outubro será intensa e cheia de trabalho para Ministros de Fazenda, Presidentes de Bancos Centrais, autoridades econômicas, executivos do setor privado, representantes da sociedade civil e acadêmicos do mundo inteiro presentes em Washington, EUA, para as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Esses encontros, que ocorrem desde 1946, não se limitam a essas duas organizações internacionais: também haverá reuniões de outros agrupamentos como o G-20, os BRICS e o G-24. Aproveita-se, também, a presença de tantas autoridades do setor econômico e financeiro mundial para a realização de diversos eventos, debates e reuniões paralelas com as mais diversas perspectivas. O Brasil se fará representar nesses eventos sob a liderança do Ministro Henrique Meirelles, representante máximo do Brasil nesses organismos, e de Ilan Goldfajn, Presidente do Banco Central.

A economia global que vem apresentando sinais mais positivos, com um cenário mais favorável ao crescimento, a estabilidade financeira internacional e os objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas estarão, como sempre, no centro da agenda. Contudo, em que pese melhora nas perspectivas, a normalização das políticas monetárias nos países de economia avançada, o elevado nível de endividamento de diversas economias, o fraco crescimento da produtividade em diferentes países, a transição econômica na China e as tensões geopolíticas se apresentarão nos cenários de risco e desafios que permearão as discussões. O resultado do debate norteará a atuação das instituições financeiras internacionais nesse contexto desafiador.

Outra questão importante diz respeito aos impactos da globalização na desigualdade econômica no mundo, como bem afirmou a Diretora-Gerente do Fundo, Christine Lagarde, em recente debate organizado pela OMC, em Genebra. A principal preocupação é que, apesar dos benefícios e oportunidades gerados pela globalização, a percepção sobre esses benefícios e oportunidades não é clara em vários casos e, em outros, falta qualificação adequada para seu melhor aproveitamento. O resultado é um número considerável de insatisfeitos em diversos países, o que tem favorecido, em certos casos, a ascensão de ideias protecionistas que já nos levou a resultados desastrosos no passado. Esse é um debate importante para o Brasil que precisa de uma maior inserção na economia mundial a fim de alavancar seu crescimento e, ao mesmo tempo, decidir sobre suas prioridades no uso dos recursos públicos. 

Nesse sentido, a candidatura do país a membro da OCDE estará na agenda de tratativas das autoridades brasileiras. No passado vista como um clube dos países ricos, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico apresenta-se hoje como uma instituição reconhecida na promoção das melhores práticas regulatórias internacionais em diversas áreas da economia. A continuidade da agenda de reformas e a busca de conhecimento que torne o país e seus cidadãos de fato aptos a aproveitar os benefícios e oportunidades da economia global motivam essa candidatura.

O Brasil aproveitará, ainda, as reuniões para apresentar os importantes avanços em sua agenda de reformas estruturais, os êxitos da política monetária e os dados que apontam uma recuperação cada vez mais robusta da economia nacional, com expectativas de mercado de um crescimento do PIB de 0,7% em 2017 e 2,4% em 2018. Nesse sentido, mostrar-se-á que as projeções do FMI para o Brasil, que atualmente são de 0,3% para 2017 e 1,3% para 2018, estão bastante defasadas.

Nessa ocasião, o governo brasileiro também pretende continuar a fomentar as negociações para melhorar a governança da economia global. No Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional, esse processo está previsto para se encerrar apenas em 2019, mas o objetivo continua sendo adequar os critérios para melhor refletir o crescente peso das economias emergentes, aumentando a participação brasileira no processo decisório dessas instituições.

Por fim, no âmbito das reuniões anuais, teremos a despedida da presidência alemã do G20, que liderou um importante trabalho em favor de maior resiliência da economia global. A próxima presidência, que se inicia formalmente em dezembro deste ano, será exercida pela Argentina, nossa parceira econômica estratégica. Compartilhamos diversos interesses em prol do crescimento inclusivo com os argentinos, que, terão como prioridades os temas de infraestrutura e do futuro do trabalho. Nesse sentido, Brasil e Austrália foram convidados a coordenar iniciativa do G20 para alavancar o financiamento de infraestrutura. Dadas nossas necessidades de investimento nessa área, novamente aqui teremos meio de buscar soluções e de promover as oportunidades de investimento no país, com o objetivo de eliminar gargalos ao crescimento e melhorar os serviços ao povo brasileiro.



*Marcello Estevão
, PhD em Economia pelo MIT,  é secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda e Chairman do Corpo de Diretores do New Development Bank. Foi economista do Federal Reserve Board, do FMI e da Tudor Investment Corporation.
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