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Dívida Pública Federal cresce 3,17% em março

Destaque do mês, a emissão de US$ 1,0 bilhão em Global 2026 teve demanda três vezes superior à oferta
publicado: 24/04/2017 12h27 última modificação: 24/04/2017 13h13
Gustavo Raniere/MF

O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) cresceu 3,17% em março na comparação com fevereiro, em termos nominais, passando de R$ 3,134 trilhões para R$ 3,234 trilhões. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) aumentou 3,08% entre os dois meses, para R$ 3,113 trilhões, enquanto a Dívida Pública Federal externa (DPFe) cresceu 5,59%, para R$ 120,30 bilhões. 

De acordo com o Relatório Mensal da Dívida, publicado nesta segunda-feira (24/04) pelo Tesouro Nacional, as emissões da DPF corresponderam a R$ 80,37 bilhões em março, enquanto os resgates alcançaram R$ 13,78 bilhões, resultando numa emissão líquida de R$ 66,60 bilhões. Houve ainda uma apropriação positiva de juros no valor de R$ 32,95 bilhões. 

Emissão externa

Um dos destaques do mês passado foi a reabertura do Global 2026 no mercado internacional, com a emissão de US$ 1,0 bilhão. O papel ofereceu cupom de 6,00%, taxa de retorno de 5,00% e foi colocado a 107,213% do valor de face. 

O spread ficou em 248,4 pontos-base acima do título do Tesouro dos EUA de referência. A coordenadora de Operações da Dívida Pública, Márcia Tapajós, destacou que a demanda foi três vezes superior ao montante emitido. 

Composição e detentores

A parcela de títulos da DPF com remuneração prefixada aumentou de 34,15% em fevereiro para 34,86% em março, enquanto a de papéis indexados a índices de preços diminuiu de 32,39% para 31,97%. A fatia dos títulos remunerados por taxa flutuante recuou de 29,70% para 29,32% e a de papéis atrelados ao câmbio subiu de 3,76% para 3,85%. Todos esses percentuais ficaram dentro dos intervalos definidos pelo Plano Anual de Financiamento (PAF). 

A fatia de Previdência na DPMFi diminuiu de 26,12% em fevereiro para 25,98%  em março. Apesar desse recuo, o grupo continuou liderando, seguido por fundos de investimentos, cuja fatia cresceu de 22,42% para 23,16%. A parcela das instituições financeiras aumentou de 22,29% para 22,70% e a de não residentes cedeu de 13,66% para 13,26%. 

Márcia destacou que, em termos absolutos, todos os participantes apresentaram incremento em seus estoques, com exceção das seguradoras. Questionada sobre a queda da fatia de não residentes, a coordenadora explicou que houve, em março, uma antecipação da rolagem de papéis com vencimento em abril, um movimento que não foi totalmente compensado pela aplicação em títulos de prazo maior. 

“Apesar de estar havendo um fluxo de aplicação pelos não residentes em papéis mais longos, o que demonstra confiança do investidor na dívida brasileira, [esse movimento] ainda não está sendo superior à redução em título de curto prazo”, disse a coordenadora. “Nossa expectativa é que em algum momento esse movimento se estabilize e se reverta.” 

Prazos, custos e mercado secundário

O percentual de vencimentos da DPF para os próximos 12 meses aumentou de 15,22% em fevereiro para 16,16% em março. A coordenadora de operações explicou que a saída de março de 2017, com vencimentos de cerca de R$ 10,5 bilhões, e a entrada de março de 2018 na série, com R$ 48 bilhões, explica esse aumento. O percentual, de todo modo, ainda está próximo do limite inferior do intervalo definido pelo PAF, que vai de 16% a 19%. 

O prazo médio da DPF recuou de 4,63 para 4,54 anos, ainda acima do limite superior do PAF, que é de 4,40%, enquanto a vida média passou de 6,40 para 6,30 anos. O custo médio da DPF acumulado nos últimos 12 meses aumentou de 11,34% para 11,72% ao ano, impulsionado pelo impacto da depreciação do real no custo da dívida externa. 

O volume financeiro médio diário de títulos negociados no mercado secundário permaneceu em R$ 31,53 bilhões entre fevereiro e março. Márcia chamou atenção para o expressivo aumento da participação em tela, de 10,97% para 14,49% entre os dois meses. Em março do ano passado, essa participação foi de 4,10%. 

Tesouro Direto

O programa de venda de títulos da dívida pública para pessoas físicas registrou em março recorde de aplicações, de R$ 2,65 bilhões. As mulheres responderam por 68,6% dos novos investidores cadastrados, o maior percentual da série histórica, resultante de uma campanha voltada para o público feminino, por ocasião do 8 de março. 

O estoque do Tesouro Direto alcançou R$ 43,6 bilhões, um crescimento de 48,6% sobre março do ano passado. O total de investidores cadastrados aumentou 86,5% nos últimos 12 meses, para 1,321 milhão.


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