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Dívida Pública Federal recua 0,46% em outubro

Dívida Pública

Percentual que vence em 12 meses é o menor da história e volume negociado em tela é recorde, informa Tesouro
publicado: 23/11/2016 12h31 última modificação: 23/11/2016 14h50
Gustavo Raniere/MF

A Dívida Pública Federal (DPF) recuou 0,46% em outubro na comparação com setembro, passando de R$ 3,046 trilhões para R$ 3,032 trilhões. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) cedeu 0,40%, para R$ 2,909 trilhões, enquanto a Dívida Pública Federal externa (DPFe) caiu 1,92%, para R$ 123,61 bilhões.

Ao anunciar os números nesta quarta-feira (23), o coordenador-geral de operações da dívida pública do Tesouro, Leandro Secunho, explicou que outubro, como todo mês de início de trimestre, é sazonalmente forte em vencimentos, o que explica o volume elevado de R$ 113,45 bilhões em resgates totais da DPF e a queda do estoque da dívida. As emissões corresponderam a R$ 77,42 bilhões, resultando em um resgate líquido de R$ 36,04 bilhões, que foi compensado em parte pela apropriação positiva de juros no valor de R$ 22,02 bilhões.

O coordenador acrescentou que, como em novembro e dezembro a previsão é de um volume baixo de vencimentos, o estoque da dívida ficará até o fim do ano dentro do intervalo indicativo no Plano Anual de Financiamento (PAF), de R$ 3,1 trilhões a R$ 3,3 trilhões. Esse intervalo não sofreu mudança na revisão de indicadores anunciada no mês passado.

As emissões de títulos da DPMFi alcançaram R$ 77,39 bilhões em outubro. Desse total, R$ 40,51 bilhões, ou 52,35%, foram em títulos prefixados, R$ 15,22 bilhões (19,67%) em papéis remunerados por índices de preços e R$ 21,62 bilhões (27,93%) em títulos indexados a taxa flutuante. O volume emitido de NTN-Bs, no valor total de R$ 14,03 bilhões, foi o segundo maior para esse papel neste ano, destacou Secunho. “Esses são títulos tradicionalmente de mais longo prazo, por meio dos quais conseguimos fazer o alongamento da dívida”, disse ele.

 Estrangeiros

O grupo Previdência, tradicionalmente aplicador em títulos de mais longo prazo, manteve-se em outubro na liderança entre os detentores da DPMFi, com 24,64% do total, seguido por instituições financeiras (23,14%) e fundos de investimento (22,08%). A parcela dos não residentes recuou de 14,97% em setembro para 14,90% em outubro. Essa participação, que em dezembro de 2015 era de 18,79%, veio caindo mês a mês ao longo do ano.

Esse recuo foi concentrado principalmente em títulos de curto prazo, observou Secunho, e pode ser explicado por um movimento de realização de lucros. “Ao longo do ano houve uma redução grande das taxas de juros em geral. Isso significa um ganho para o investidor. O câmbio também favoreceu – o nível da taxa de câmbio era mais elevado no início do ano e, com a queda, há um lucro, e o investidor realiza esse lucro”, explicou ele.

O coordenador acrescentou que o aumento das taxas de juros e a depreciação cambial registrada nas últimas semanas, em meio ao crescimento da volatilidade e da incerteza nos mercados, tendem a favorecer a volta dos não residentes, como já tem ocorrido. “Conversando com dealers, o relato é que os estrangeiros já começaram a intensificar suas compras, principalmente de títulos de longo prazo, para aproveitar os juros melhores”, afirmou Secunho.

 Vencimentos, prazos e mercado secundário

O percentual de vencimentos da DPF nos próximos 12 meses diminuiu de 18,59% em setembro para 17,41% em outubro, o menor patamar já registrado. “Isso é positivo porque indica que o risco de refinanciamento do Tesouro está diminuindo. Assim, em momentos de maior volatilidade, como agora, o Tesouro tem mais flexibilidade para se ausentar do mercado”, disse Secunho.

 O prazo médio da DPF, por sua vez, aumentou de 4,59 para 4,66 anos entre setembro e outubro. A vida média da DPF subiu de 6,45 para 6,55 anos.

O coordenador também considerou “muito expressivo” o volume financeiro médio diário de R$ 24,51 bilhões negociado no mercado secundário e destacou que a negociação em tela foi recorde tanto em termos percentuais (12,99%) quanto em montante total (R$ 43,31 bilhões).

 Tesouro Direto

Outubro foi um mês de destaque também para o programa de venda de títulos públicos para pessoas físicas. O volume de investidores cadastrados ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão de pessoas, e o estoque atingiu R$ 38,1 bilhões. 

A forte expansão do programa, destacou o coordenador-geral de planejamento estratégico da dívida, Luiz Fernando Alves, resultou de esforços no sentido de aproximar o investidor do Tesouro Direto. Em março do ano passado, foi anunciada uma série de novidades, como a mudança do nome dos títulos e a criação da liquidez diária. Uma segunda onda de inovações virá no início de dezembro.

 Atuações do Tesouro

Questionado sobre as atuações do Tesouro, Secunho afirmou que, sempre que existe volatilidade excessiva no mercado, como ocorreu após o resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos, o Tesouro pode reduzir a oferta de títulos em leilão ou até não vendê-los. “A atuação não é para estancar o movimento de alta das taxas, é para não adicionar volatilidade. O Tesouro entra para sinalizar que está atento ao que está acontecendo, para dar estabilidade e principalmente para não aumentar a volatilidade num momento de incerteza”, afirmou.

Como o estresse foi sentido tanto no mercado de juros quanto no de câmbio, essa atuação pode ocorrer em conjunto com o Banco Central, acrescentou Secunho, o que potencializa seu efeito, como de fato ocorreu.  “O momento de atuação é uma decisão coordenada dentro do Tesouro e com o BC. A avaliação foi positiva”, afirmou o coordenador. A posição forte de caixa do Tesouro e o baixo percentual de dívida com vencimento em 12 meses conferem flexibilidade para a instituição, segundo ele. 

Secunho disse que o cenário nesta semana é de mais normalidade, mas ressaltou que a incerteza prossegue e a instituição continua cautelosa. “O Tesouro está atento, e se for necessário pode haver novas atuações, mas ela tem de ser justificada”, afirmou. 


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