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Brasil passa por mudança para enfrentar ambiente econômico, afirma Barbosa

Em Davos, ministro destaca importância da atuação do governo no estímulo ao crescimento
publicado: 21/01/2016 13h59 última modificação: 05/06/2017 16h32
Michele Limina

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse nesta quinta-feira que o Brasil passa por um processo de transição e que o governo está preparando a economia para um novo ambiente global, o que exige uma mudança estrutural. No painel “How to reboot the global economy”, durante o Fórum Econômico Mundial, o ministro defendeu a manutenção da estabilidade econômica, o combate à desigualdade e a atuação do governo como coordenador das forças que possam promover o crescimento.  

“O cenário internacional mudou muito. Estamos numa fase que se sucede ao boom das commodities e o Brasil está se ajustando a esse cenário internacional”, disse Barbosa. “Isso requer alguma mudança estrutural, e estamos no meio disso. Também somos uma democracia avançada, então esse tipo de mudança deve ser discutida com todos os atores relevantes. Esse processo está em curso e estou plenamente confiante de que superaremos essa fase”, acrescentou o ministro, que participou do painel sobre a retomada do crescimento mundial ao lado do prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz, o primeiro-ministro da Irlanda, Enda Kenny, e a empresária chinesa Zhang Xin. 

Barbosa afirmou que país aproveitou o boom das commodities para aumentar a rede de proteção social, o que contribuiu para a redução da desigualdade e da pobreza e para o aumento do investimento. “Agora estamos enfrentando o desafio de consolidar as conquistas sociais que obtivemos no passado recente e preparar nossa economia para essa nova fase mundial”, afirmou.

A relevância do desempenho do PIB como medida de bem-estar social foi questionada pela plateia que assistia ao painel. “Aumentar a renda per capita ainda é muito importante para os países emergentes”, disse Barbosa. “Nosso desafio é combinar isso com outros objetivos”, afirmou, acrescentando que reduzir a desigualdade é tão importante quanto fazer crescer o PIB numa economia em desenvolvimento. “Esse é um tópico inevitável no século 21 e isso requer ação governamental”, disse ele. “O mercado pode gerar muitos ganhos de produtividade e progresso, mas também produz muita desigualdade e muita volatilidade. Temos de encontrar maneiras para que o governo lide com isso em um ambiente completamente diferente”, afirmou.

Barbosa disse que a chave para promover a redução da desigualdade juntamente com os ganhos de produtividade é criar as instituições certas que distribuam esses ganhos, de maneira a gerar mais oportunidades de emprego e de qualificação para a mão de obra. 

INVESTIMENTOS E COORDENAÇÃO

O ministro da Fazenda afirmou que o governo tem um papel importante na manutenção da estabilidade econômica. “Mas a estabilidade pode ser alcançada de diversas formas, não há um caminho único”, disse ele. Ressaltando que é uma escolha da população o quanto demandará do governo e o quanto pagará em termos de impostos, Barbosa afirmou que o ambiente atual de mudanças demográficas, tecnológicas e políticas exige uma atuação intensiva por parte dos líderes de um país.

“O governo precisa liderar o caminho, não necessariamente sendo o ator principal. O governo é o coordenador de todas essas forças”, afirmou Barbosa. Na avaliação do ministro, será fundamental saber lidar com riscos e desenhar uma engenharia financeira capaz de transformar as oportunidades em investimentos concretos. “Especificamente na área do investimento, alguma coordenação de riscos e planejamento é inevitável. Esse, acredito, é o principal desafio: reduzir as desigualdades e ter políticas de desenvolvimento que estimulem o mercado a fazer coisas que não seriam feitas sem algumas garantias do governo”. 

 AMÉRICA DO SUL

Barbosa destacou também o grande papel que o Brasil representa para a América do Sul e disse que uma maneira de o país contribuir para a região é ampliando o investimento e aprofundando a integração regional. “O comércio bilateral do Brasil com a Argentina está melhorando, temos agora uma taxa cambial mais flexível entre ambos e acreditamos que isso possa disseminar um efeito benéfico para a região”, disse ele.