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Relatório de março aponta sucesso de emissão externa e queda do custo da dívida

Tesouro Nacional avalia que ambiente político não trouxe volatilidade significativa para o mercado de títulos públicos
publicado: 25/04/2016 10h00 última modificação: 25/04/2016 15h40

A emissão de US$ 1,5 bilhão do bônus Global 2026 foi o destaque do Relatório Mensal da Dívida de março divulgado nesta segunda-feira (25) pelo Tesouro Nacional. Em moeda local, a operação gerou um volume financeiro de R$ 5,42 bilhões. Os resgates da Dívida Pública Federal externa (DPFe) somaram, no mês, R$ 840,02 milhões, e a emissão líquida totalizou R$ 4,58 bilhões.

 “Foi uma operação muito bem-sucedida. A demanda foi bastante favorável e também o tipo de investidor, porque 83% dos títulos foram emitidos para investidores de longo prazo”, comentou o coordenador-geral de operações da dívida pública do Tesouro, Leandro Secunho. O papel também apresenta bom desempenho no mercado secundário, destacou ele. A taxa interna de retorno, de 6,125% no momento da colocação, havia caído para 5,86% no fechamento da última sexta-feira.

Secunho disse que é possível que haja uma reabertura dessa emissão em algum momento do segundo semestre. O principal objetivo disso, no entanto, seria prover uma referência de preço para o próprio Tesouro e para as empresas, já que a instituição não tem necessidade de financiamento externo. “De tudo o que vence de dívida externa em 2017, o Tesouro possui 70% em caixa em forma de moeda estrangeira”, afirmou ele. 

NTN-F

As emissões líquidas da Dívida Pública Federal (DPF) totalizaram R$ 49,61 bilhões, sendo R$ 45,03 bilhões referentes à emissão líquida da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi). No tocante à dívida interna, o destaque foram os R$ 8,07 bilhões emitidos em NTN-F, o maior volume desse papel prefixado de longo prazo colocado no mercado desde os R$ 17,5 bilhões emitidos em maio de 2015.

“Tem havido uma demanda por títulos de longo prazo, e o Tesouro aproveita dessa situação para melhorar o perfil da composição da dívida”, afirmou Secunho. Outro ponto positivo é que a taxa da NTN-F com vencimento em 2027 também está em queda, tendo passado de 14,24% no dia 24 de março para 12,91% no leilão realizado na última quarta-feira (20). “Estamos conseguindo emitir títulos de mais longo prazo a taxas decrescentes”, disse Secunho.

O estoque da DPF cresceu 2,38% em março, em termos nominais, para R$ 2,886 trilhões. A expectativa é que esse valor atinja o intervalo de R$ 3,1 trilhões a R$ 3,3 trilhões estabelecido pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) até o fim do ano.

O mês passado também foi marcado por um leve aumento da participação de títulos prefixados e atrelados a índices de preços na composição da dívida, acompanhado por uma redução da parcela dos papéis com taxas flutuantes, para 24,92%. Esse percentual ainda está um pouco distante do intervalo de 30% a 34% estabelecido como meta no PAF, mas Secunho destacou que, como há menos vencimentos dos títulos remunerados pela Selic até o fim do ano, em comparação com os outros tipos de papéis, a tendência é que naturalmente a parcela desses títulos no total da dívida convirja para os parâmetros do plano até dezembro.

Estrangeiros

No mês passado também houve um aumento da participação de instituições financeiras na DPMFi, de 23,62% para 24,28%, acompanhado de uma redução da parcela dos não residentes de 17,72% para 16,73%. Secunho explicou que esse movimento resultou principalmente da venda, por parte dos estrangeiros, de papéis com vencimento em 1º de abril de 2016, que foram absorvidos pelas instituições financeiras.“Foi um movimento concentrado em títulos de curtíssimo prazo, que impactam muito pouco na gestão da dívida e não representam uma tendência de saída de estrangeiros”, disse ele.

O prazo médio da DPF diminuiu de 4,69 para 4,59 anos entre fevereiro e março e continua dentro do intervalo de 4,50 a 4,70 anos definido pelo PAF. Essa queda está em linha com o aumento da participação dos títulos prefixados na composição da dívida, disse o coordenador. A vida média da DPF, por sua vez, recuou de 6,68 para 6,55 anos, “que é um nível bastante confortável”, comentou Secunho.  

O custo médio da DPF diminuiu 1,66 ponto percentual na comparação mensal, para 14,15% ao ano em março, o nível mais baixo desde maio de 2015. O volume médio diário negociado no mercado secundário aumentou para R$ 24,33 bilhões em março e quase 70% desse montante correspondem a papéis prefixados.

Secunho apontou que a incerteza do ambiente político não trouxe volatilidade significativa para o mercado de títulos públicos e que não há nenhum movimento relevante que dificulte a gestão da dívida interna. “Não houve nada muito fora do normal. As taxas estão muito bem comportadas, em queda inclusive. Os títulos de referência estão muito bem precificados e os leilões apresentaram bom desempenho em março e abril”, disse Secunho. 

Tesouro Direto

O programa de venda de títulos de dívida para pessoas físicas ganhou 33.456 novos participantes cadastrados em março, o maior incremento mensal desde sua história, elevando o total para 708.711. A emissão líquida atingiu pouco mais de R$ 1 bilhão, concentrada principalmente em papéis atrelados a índices de preços, que responderam por 60% do total.

Ouça a entrevista coletiva com o Tesouro Nacional:

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Relatório Mensal da Dívida
Monthly Debt Report

O Relatório Mensal da Dívida Pública Federal apresenta informações sobre emissões, resgates, estoque, perfil de vencimentos e custo médio, dentre outras, para a Dívida Pública Federal, nela incluídas as dívidas interna e externa de responsabilidade do Tesouro Nacional em mercado. Além disso, o documento contém informações sobre o programa Tesouro Direto e realiza acompanhamento do Plano Anual de Financiamento. As publicações entre 2002 e 2006 referem-se à Nota para a Imprensa – DPMFi e Mercado Aberto, descontinuada a partir de 2007.