Você está aqui: Página Inicial > Notícias > 1998 > Arroz e feijão terão preços normalizados até janeiro

General

Arroz e feijão terão preços normalizados até janeiro

publicado: 17/11/1998 23h00 última modificação: 26/05/2015 16h50
Notas Oficiais

18/11/1998


Arroz e feijão terão preços normalizados até janeiro


 

A Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) divulgou hoje (11.98) a seguinte nota à imprensa, que analisa a evolução dos preços do arroz e do feijão depois das altas históricas atingidas em junho deste ano.

Conjuntura de Mercado do Arroz e do Feijão

Em junho deste ano, quando os preços do feijão e do arroz haviam atingido altas históricas após sucessivos aumentos, a Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda (Seae) esclareceu que o problema era causado por condições climáticas adversas – chuvas no sul e estiagem no nordeste -, e descreveu as providências e perspectivas relativas à evolução dos preços. A presente nota presta satisfações à opinião pública sobre os preços do arroz e do feijão, dois itens de consumo básicos da população brasileira. A evolução prevista pela Seae naquele momento, que incluía relativa normalização de preços, tem sido confirmada, como descrito a seguir.

Antecedentes

Em junho, a Seae esclareceu que o problema era causado por condições climáticas adversas – chuvas no sul e estiagem no nordeste. O excesso de chuva havia provocado quebra de safra de arroz no Brasil, e também na Argentina e no Uruguai, nossos principais fornecedores do produto. No caso do feijão, além da chuva no sul, a quebra de safra deveu-se também à estiagem no nordeste. Na ocasião, a Seae informou que o Governo estava adotando várias providências visando a reversão da tendência altista dos preços de arroz e do feijão.

No caso do arroz, as providências adotadas foram duas. Primeiro, venda de 40 mil toneladas semanais dos seus estoques. Segundo, redução do custo do arroz importado, via rebaixamento da alíquota do imposto de importação desse produto, de 21 para 15%, e flexibilização do prazo de pagamento das importações de arroz. Além disso, o Governo não renovaria as operações de custeio dos produtores de arroz, nem estenderia o prazo de vencimento do Empréstimo do Governo Federal-EGF, o que permitiria aos produtores manter o produto estocado.

Para o feijão, o Governo dobrou o limite de financiamento para os produtores, de R$ 150 mil para R$ 300 mil, inclusive para aqueles que cultivassem fora das áreas de zoneamento agrícola, o que antes não era possível.

As medidas adotadas pelo Governo proporcionaram aumento de 8,8% na área plantada e 12,1% na produção de feijão da terceira safra – semeada entre maio e julho –, o que forçou o mercado a baixar o preço da saca de 60 quilos, que chegou a atingir um máximo de R$ 135/140, para uma média de R$ 55,00. Para a primeira safra de verão, que se encontra em fase final de plantio, a previsão é de um aumento de 4,5% na área plantada e 31,2% na produção, caso o clima permaneça favorável.

No caso do arroz, as medidas adotadas sobre as operações de custeio e empréstimos para financiamento de estoques possibilitaram a reversão da tendência de alta dos preços. A cotação do arroz agulhinha em casca, que em pleno safra - final de maio - chegou a atingir R$ 19,00/50 kg., caiu, no final de junho, para R$ 16,75. Quanto às medidas no âmbito da política de importação, os efeitos também foram positivos, pois o aumento do volume de internalização do produto importado, além de impedir a elevação do preço do arroz em casca, nesta fase crítica de entressafra, está permitindo a estabilização e até ligeira queda na cotação do arroz beneficiado aos níveis de atacado e de varejo.

Situação Atual e Perspectivas

Feijão

Com a intensificação da colheita de feijão carioquinha da primeira safra de verão, também conhecida como "das águas", nas principais áreas produtoras do interior paulista e do norte paranaense, a oferta começa a se normalizar. O gradativo aumento da oferta está provocando queda das cotações nos segmentos produtor, atacadista e varejista, que deverá acentuar-se a partir do final de novembro, com a entrada no mercado das safras catarinense e gaúcha.

Mesmo com a quebra das safras paranaense e catarinense, estimada em torno de 10%, devido ao excesso de chuvas, as expectativas de mercado são de que os preços continuem se retraindo, visto que os problemas climáticos, que estão afetando as lavouras semeadas mais recentemente, deverão influenciar o mercado somente a partir de fevereiro e março. Ademais, a produção desta primeira safra de verão, prevista em 1,3 milhão de toneladas, é mais que suficiente para abastecer o mercado nacional por mais de quatro meses.

Em Goiás, Minas Gerais e oeste da Bahia, a saca de 60 quilos do carioquinha, que estava cotada, no dia 15/10, entre R$ 57,50/72,50, está sendo ofertada, atualmente, entre R$ 42,50/47,50 – queda de 17% a 40% em pouco mais de trinta dias. Nas praças de Itararé e de Itapetininga–SP, que começaram ofertar o produto da nova safra há cerca de vinte dias, a saca do carioquinha de boa qualidade está sendo negociada ao redor de R$ 48,00/60 kg., e com tendência crescente de queda, na medida em que se vai aumentando o ritmo da colheita.

A oferta crescente de feijão no mercado atacadista de São Paulo e o nível de demanda ainda fraco estão derrubando o preço do carioquinha, que recuou de R$ 79,00 a saca de 60 quilos, cotado em 15/10, para patamar atual de R$ 54,00. Considerando que o clima continua favorável para a colheita no interior de São Paulo e os produtores paranaense começam, também, a ofertar a sua produção para o mercado paulistano, as expectativas são de que a tendência de queda deva continuar e acentuar-se. Diante do atual estágio de desenvolvimento das lavouras nos diversos estados produtores, a expectativa de mercado é de que a maior concentração de oferta de feijão carioquinha ocorra a partir do final de novembro.

O preço médio do feijão carioquinha praticado no mercado varejista de São Paulo, refletindo o comportamento registrado no mercado atacadista, apresenta sinais declinantes. O quilo do feijão carioquinha tipo 2, segundo pesquisas diárias do Procon/Dieese, que custava R$ 1,90 no final da primeira quinzena de outubro, caiu para R$ 1,49 nesta terceira semana de novembro.

Apesar das sucessivas quedas registradas nas últimas quatro semanas, o preço médio do carioquinha, pago pelo consumidor paulistano, ainda permanece cerca de 90,0% superior ao registrado no mesmo período de 1997, o que se constitui em principal fator de manutenção do nível de consumo retraído.

Ao considerar que o período de entressafra de feijão está encerrado e que a produção da nova safra, em fase inicial de colheita, deverá ser 31,0% superior à obtida na mesma safra anterior, segundo previsão da Conab, os preços dessa leguminosa tendem a cair até atingir os patamares históricos registrados nas mesmas safras dos anos anteriores. Caso as condições climáticas permaneçam favoráveis nas áreas produtoras e no decorrer do período de concentração da colheita, espera-se que os preços médios do carioquinha pagos pelos consumidores retrocedam ao nível histórico em meados de dezembro.

Comportamento dos Preços Médios do Feijão Carioquinha - R$

Mercado

09/06(*)

15/10

30/10

10/11

13/11

16/11

17/11

Produtor – 60 kg.

 

Goiânia/GO

97,50

65,00

50,00

47,50

48,50

42,50

42,50

Paracatú/MG

102,50

72,50

57,50

47,50

42,50

42,50

42,50

Barreiras/BA

85,00

57,50

59,00

52,00

52,00

57,00

47,50

Itapetininga/SP

-

62,00

52,00

51,00

49,00

49,00

49,00

Itararé/SP

-

62,00

52,00

51,00

48,00

48,00

48,00

Apucarana/PR

-

80,00

47,50

47,50

41,00

41,00

41,00

Jacarezinho/PR

-

62,50

47,50

42,50

40,00

40,00

42,50

Atacado/SP – 60 kg.

108,50

79,00

63,50

57,50

59,50

56,50

54,00

Varejo/SP – 1 Kg.

2,77

1,90

1,63

1,54

1,50

1,50

1,49

(*) maior preço médio alcançado ao nível de varejo, relativo ao período de junho a outubro/98.
Fonte: CMA e Procon/Dieese

Arroz

O mercado nacional de arroz agulhinha em casca vem apresentando um comportamento atípico de preços para este período do ano, contrastando com a tendência histórica de curva ascendente e contínua nos meses de agosto a dezembro, quando o mercado nacional atravessa a fase crítica de entressafra.

Contrariando essa tendência, no final da primeira quinzena de outubro, após terem atingido nível de preço médio mais alto do ano – R$ 19,87 a saca de 50 quilos no mercado gaúcho – as cotações entraram em declínio em quase todas as praças de comercialização do País. Segundo analistas de mercado, dois fatores estão, basicamente, contribuindo para essa situação no mercado de arroz em casca:

(i) desde a implementação do Plano Real, o mercado vem constatando queda sistemática do consumo de arroz, decorrente da melhoria do poder aquisitivo da população de baixa renda, o que possibilitou acesso a outros produtos alternativos para sua dieta diária – estima-se uma redução, no consumo "per capita", de 75,51 kg para 72,64 kg entre 1993 e 1997; desde meados de junho deste ano, embora não tenha sido mensurado, especula-se que esse nível de consumo tenha caído ainda mais, devido às altas recordes registradas nos preços do arroz; e

(ii) outro fator responsável pelo comportamento atípico dos preços, diz respeito, na opinião dos mesmos agentes de mercado, à concorrência com o arroz importado, sobretudo a partir de outubro; de janeiro a setembro, segundo dados do Secex/Decex, as importações efetivas já alcançavam volume da ordem de 1.380,9 mil toneladas, contra 839,8 mil toneladas em igual período de 1997 – aumento de 64,4%.

Enquanto isso, nesta fase de plantio da próxima safra de arroz, o mercado, em geral, está com a atenção voltada para o comportamento das variáveis que determinarão o resultado da safra 98/99, que começará a ser colhida a partir do final de janeiro do próximo ano – condições climáticas, liberação de crédito de custeio, disponibilidade de sementes.

A primeira pesquisa de intenção de plantio, realizada pela Conab no início de outubro, indicava uma previsão de produção da ordem de 11,1 milhões de toneladas, cerca de 30,8% superior a obtida na safra passada. Os principais estados responsáveis por esse aumento são Mato Grosso, com 45% de crescimento na área plantada e na produção, Goiás, com 50% na área e 56,3% na produção e Rio Grande do Sul, com 9% na área e 37,2% na produção.

Caso as condições climáticas não voltem a interferir nos resultados esperados, como aconteceu na safra 97/98, as expectativas dos agentes de mercado são de que a safra nacional, somada com os excedentes de arroz do Mercosul, deve garantir um volume suficiente para o abastecimento interno e para a estabilidade dos preços em patamar inferior ao registrado neste ano. Até o momento, as condições gerais para o plantio e para o desenvolvimento das lavouras já implantadas têm sido muito favoráveis, em todas as regiões produtoras do País.

No mercado atacadista de São Paulo, as cotações médias do arroz beneficiado tipo 1, tanto a granel quanto empacotado, embora tenham registrado ligeira retração, ainda mantêm-se em patamar elevado e estável - R$ 48,00/60 kg e R$ 26,50/30 kg, respectivamente. A expressiva entrada de arroz importado e a demanda retraída, se por um lado não se traduziu em queda proporcional à ocorrida no mercado de produto em casca, por outro lado estão contribuindo para a estabilização dos preços no atacado nesta fase crítica de entressafra.

No mercado varejista de São Paulo, o preço médio do agulhinha tipo 2 pacote de cinco quilos, pesquisado pelo Procon/Dieese, vem apresentando comportamento semelhante ao verificado nas cotações do mercado atacadista, registrando ligeira queda ao longo deste mês, com oscilações variando entre R$ 4,56 e R$ 4,65 o pacote. Neste cenário de oferta e demanda ajustado, o comportamento de preços ao consumidor até a entrada da nova safra, prevista para o final da segunda quinzena de janeiro próximo, continuará dependendo, basicamente, do nível de variação dos custos de internalização e do volume de produto importado a ser desembarcado no decorrer desta fase crítica de entressafra.

Comportamento dos Preços Médios de Arroz - R$

Mercado

16/10(*)

15/10

30/10

10/11

13/11

16/11

17/11

Produtor/RS – casca/50kg.

 

Pelotas

20,75

20,75

19,00

18,75

18,75

18,75

18,75

Uruguaiana

19,25

19,25

18,50

18,50

18,50

18,50

18,50

Atacado/SP – beneficiado

 

saca de60kg.(t-1)

48,50

48,50

48,00

48,00

48,00

48,00

48,00

fardo de 30 kg.(t-1)

28,50

28,50

27,50

27,00

26,50

26,50

26,50

Varejo/SP – pcte.5 kg(t-2)

4,69

4,65

4,65

4,65

4,63

4,61

4,59

(*) maior preço médio alcançado ao nível de varejo, relativo ao período de junho a outubro/98.
Fonte: CMA e Procon/Dieese

Importação Efetiva de Arroz no Período de Janeiro a Setembro de 1998

Procedência

Janeiro a Setembro

Setembro

Variação(%)

1997(a)

1998(b)

1997(c)

1998(d)

b/a

d/c

Arroz em Casca

Argentina

69.574,2

99.253,3

4.838,8

13.086,3

42,7

170,4

Uruguai

67.031,0

96.489,7

13.434,1

22.851,0

43,9

70,1

USA

2,5

49.671,8

0,0

31.671,0

-

-

Paraguai

10.176,8

1.640,5

904,3

408,0

-

-

outros

0,0

9,0

0,0

9,0

-

-

Total(Casca)

146.784,5

247.064,3

19.177,2

68.017,1

68,3

254,7

Arroz Beneficiado

Argentina

181.326,5

280.635,1

34.699,9

46.540,9

54,8

34,1

Uruguai

232.261,0

320.048,3

45.314,0

53.683,1

37,8

18,5

Tailândia

110,2

66.378,2

21,5

19.398,7

-

-

Vietnam

13.824,9

11.342,8

7.736,5

0,0

-

-

Índia

0,0

13.851,9

0,0

0,0

-

-

Outros

1.877,3

10.717,1

50,4

720,7

-

-

Total(Benef.)

429.699,9

702.973,4

87.981,2

120.343,4

63,6

36,8

Total Global Equivalente em Casca

Total Geral

839.848,9

1.380.892,4

161.082,4

262.119,4

64,4

62,7

Fonte: Secex/Decex


Ministério da Fazenda Esplanada dos Ministérios - Bloco P - 70048-900 - Brasília - DF - Pabx: (61)412-2000/3000 - Fax: (061)226-9084