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Entrevista do Ministro Pedro Malan ao Bom Dia Brasil

publicado: 18/06/2014 15h19 última modificação: 26/05/2015 16h50
Notas Oficiais

Entrevista do Ministro Pedro Malan ao Bom Dia Brasil


Dia: 11/02/98

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Bom Dia Brasil - ...esse ano o rombo nos cofres do INSS deve chegar a 5 bilhões de Reais. Em 97, foi de 3,7 bilhões. Esse é o principal argumento da equipe econômica para aprovar logo essas mudanças. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, conversou sobre isso com a repórter Cláudia Bontempo.

Ministro - Qualquer análise séria mostra que o sistema que existe hoje é inviável do ponto de vista da sua sustentação econômico-financeira, de seus cálculos atuariais, além de ser profundamente injusto. Portanto, nós estamos propondo uma mudança agora, enquanto é possível garantir direitos adquiridos, que é uma coisa muito importante. E ela tem por objetivo assegurar ter a certeza de que nós teremos recursos para pagar os aposentados. Daqui a alguns anos nós não poderemos ter essa certeza, se a reforma não for aprovada. Essa é a razão que nos leva a apresentar isso. Não é a preocupação com o déficit fiscal em um ano, embora, como você diz, tenha sido expressivo no ano passado: 3,7 bilhões de Reais de déficit, com um número ainda maior para esse ano, e se não houver a reforma ainda maior para 1999. É algo preocupante para quem quer que tenha responsabilidades que se estendam por um período maior do que 12 meses.

Bom Dia Brasil - Essas mudanças previstas nesse texto da reforma da previdência seriam suficientes para assegurar o ajuste de contas aqui no Brasil?

Ministro - Eu acho que elas são suficientes para mostrar a garantia de respeito a direitos adquiridos e assegurar a certeza de recursos para pagamentos de aposentados. É claro que nós teremos de continuar discutindo no Brasil, como se faz em várias partes do mundo, a questão que é a seguinte: há que haver uma relação entre os benefícios recebidos e as contribuições realizadas ao longo da vida ativa de um indivíduo. Quando não há essa relação, vale dizer quando as contribuições realizadas não são de forma alguma suficientes para assegurar o pagamento dos benefícios, isso significa que a conta é enviada para o resto da sociedade. E quando a conta é grande, como é o nosso caso, ela inevitavelmente acaba levando a aumento de impostos, aumento de contribuições, aumento da dívida, e, se isso não puder ser feito da forma adequada, a volta da inflação, que é um imposto compulsório que incide desproporcionalmente sobre os mais pobres. É nossa responsabilidade evitar esses possíveis desdobramentos. A melhor forma de evitá-los é aprovando essa reforma agora.


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